quarta-feira, 10 de junho de 2015

Um Sopro De Esperança






Em uma ruazinha deserta do subúrbio, um garoto estava jogado no asfalto. Todo ensanguentado e cheio de marcas no corpo, um sopro de vida ainda restava em seu peito, mas nenhum de esperança. Ele desejava que um carro o esmagasse, desejava que algo acontecesse, ele desejava a morte. Mas por que um adolescente de no máximo 15 aos desejava morrer? Afinal, os adolescentes são felizes, vivem sorrindo, não tem grandes problemas para enfrentar a não ser passar no vestibular, eles estão na melhor fase da vida, certo? Errado. Esse era diferente, ele não dava um sorriso de felicidade desde seus 11 anos, quando tudo começou. Ele nunca entendeu o que fez para merecer aquilo, sempre foi um bom menino, ótimo na escola, obediente e educado. Mas depois que sua mãe veio a falecer, a vida dele se tornou um inferno, seu padrasto era um bêbado que não trabalhava, era a mãe quem arcava com as despesas da casa. Então, depois que ela faleceu, começaram a passar dificuldades, teve que sair da escola por não conseguir dinheiro para o material, teve que fazer pequenos serviços para conseguir o que comer. Mas o inferno maior veio quando seu padrasto começou a lhe bater, todo dia levava uma surra com diferentes materiais, hora era com um pedaço de pau e outra com um cinto de couro. Quando completou 12 anos, seu padrasto o mandou para a rua, para pedir esmola e bancar suas bebedeiras, no dia em que trazia pouco, apanhava mais. Então começou a se esforça, e conseguia uma quantia que dava para lhe pagar um pão dormido da padaria para comer e o suficiente para manter seu padrasto bêbado a ponto de desmaiar e não o agredir. Até seus 14 anos tinha uma esperança de que tudo ia mudar tudo ia passar. Estava errado, aos seus quinze, começou a ter problemas para conseguir dinheiro, as pessoas não sentiam pena de um garoto de 15 anos, pensavam que era para comprar drogas, mas ele nunca se meteu com drogas ou álcool, nunca se meteu com coisas erradas. Com pouco dinheiro, as surras aumentaram, e naquele dia em particular, ele não havia conseguido nada, chegou em casa e seu padrasto quebrou uma garrafa em sua cabeça, lhe espancou com uma barra de ferro e o mandou de volta as ruas para pedir dinheiro durante a noite. No meio do caminho ele não resistiu e caiu no asfalto, estava ali a quase uma hora e ninguém passou na rua para reparar nele. Sua vontade de morrer quase foi concretizada, quando um carro veio em sua direção, mas parou, muito perto dele, podia sentir o calor dos pneus. Sua cabeça rodava, estava tudo turvo, não conseguia ver nada com foco. Uma mulher estava saindo do carro e vindo correndo em sua direção e lhe dizendo ‘Você estar bem?’, ele a olhou nos olhos e começou a chorar, ela fez carinho na sua cabeça e sussurrou ‘Não se preocupe, vou cuidar de você, vai ficar tudo bem’. Foi as última palavras que escutou antes de desmaiar.

-MS

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